Rede Nacional de Trabalhadores do Grupo TIGRE
               Nos dias 6 e 7 de outubro, representantes dos trabalhadores das unidades da TIGRE de vários estados do País estiveram reunidos num seminário em Rio Claro, discutindo os problemas enfrentados pelos trabalhadores e planejando uma ação conjunta, em nível nacional, coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Químico (CNTQ). Após relato dos representantes, constatou-se que o Grupo TIGRE começa a adotar medidas prejudiciais aos trabalhadores em algumas unidades, em especial em Pernambuco, na cidade de Escada, e em Minas Gerais, na cidade de Pouso Alegre.
               Companheiros e companheiras, temos que trabalhar em conjunto, independente do Estado onde você trabalha, pois a política da empresa está clara que é pela redução dos salários e benefícios conquistados ao longo dos anos. Através da nossa Confederação, que tem abrangência nacional, temos que nos fortalecer para não permitir esse desmonte provocado pela direção da empresa.
Pauta Nacional de Reivindicações
               No 1º dia do seminário, foi deliberado o encaminhamento de uma pauta nacional de reivindicações, que será entregue para a direção da empresa. Conheça os principais pontos da pauta:
              ·Reavaliação Imediata da Assistência Médica: cobertura aos dependentes legais, atendimento gratuito, rede de atendimento;
               ·Saúde do Trabalhador: garantia do atendimento aos trabalhadores acidentados e vitimados de doenças ocupacionais sem custo aos mesmos;
               ·Implantação a nível nacional do acordo de segurança em máquinas injetoras e sopradoras de plástico, em vigor apenas no Estado de São Paulo;
               ·Implantação de uma Comissão Nacional para discussão de um Programa Nacional de Participação nos Lucros e/ou Resultados;
               ·Implantação da jornada de trabalho máxima de 40 horas semanais sem redução salarial;
               ·Criação de um Programa Nacional de Cargos e Salários;
               ·Criação de um Piso Nacional;
               ·Criação de um Programa de Qualificação Profissional em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, CNTQ, Sindicatos de Trabalhadores e a área de desenvolvimento humano e pessoal da empresa;
               ·Trabalho Decente, conforme convenção da OIT;

               Caso a direção se recuse a negociar com os trabalhadores, não está descartada a paralisação em todas as unidades do Grupo TIGRE no Brasil.
TRABALHADOR UNIDO É RESPEITADO E CONQUISTA DIREITOS
               O Seminário de Rio Claro/SP tem como objetivo principal à avaliação e discussão de uma série de problemas, necessidades e reivindicações dos funcionários das empresas que integram o grupo TIGRE em todo o Brasil.
Dados e números apresentados pelo DIEESE
               No Brasil a produção da Tigre está localizada em Joinville (SC), Rio Claro (SP), Camaçari (BA), Castro (PR), Indaiatuba (SP), Pouso Alegre (MG) e Escada (PE). Fora do país, a empresa possui fábrica na Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Estados Unidos, Equador, Peru, Colômbia e Uruguai.
               Em 2008 o faturamento da Tigre foi de R$ 2,3 bilhões, um crescimento de 20% em relação à 2007. Para 2009, são previstos investimentos de R$ 100 milhões, sem contar as aquisições, e incremento de 6% em vendas.
               O mercado consumidor dos produtos da empresa consiste essencialmente no setor de construção civil nacional, portanto, todas as ações de estímulo feitas pelo governo, beneficiam diretamente os negócios da empresa.
               Atualmente, a empresa possui 5.490 funcionários, sendo que deste total, aproximadamente, 1.200 estão nas fábricas do exterior.
               A distribuição de funcionários por unidade é de 1.582 em Joinvile (SC); 1.062 em Rio Claro (SP); 180 em Camaçari (BA); 615 em Castro (PR); 109 em Indaiatuba (SP); 622 em Pouso Alegre (MG) e , cerca de 120 em Escada (PE). Em junho de 2009 foram demitidos 50 trabalhadores na unidade de Camaçari (BA). No mesmo mês, em Pouso Alegre, foram admitidos em torno de 300 funcionários. Segundo o CAGED/MTE, em agosto de 2009, um empregado admitido no setor recebia um salário em torno de 22,2% menor do que um que foi desligado. Ou seja, essa movimentação de trabalhadores demonstra a precarização das relações de trabalho, como a redução de salários e benefícios. 
               De acordo os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, no Brasil, existem 9.666 trabalhadores e 160 estabelecimentos, no setor de fabricação de tubos e acessórios de material plástico para uso na construção. Deste total de empregados, 83,2% são homens e cerca de 68% dos trabalhadores ganham até 4 salários mínimos.
Total de empregados nas atividades selecionadas, segundo faixas de rendimentos - Brasil e Cidades selecionadas, 2008
Fonte: MTE/RAIS / Elaboração: Dieese
               Nossas reivindicações são coerentes com as declarações do presidente da TIGRE, Evaldo Dreher, para o Diário Catarinense, de 05 de abril 2009. Segundo ele, a TIGRE saltou de um faturamento anual de US$ 230 milhões, em 1996, para US$ 1,1 bilhão, em 2008. “Um crescimento que veio acompanhado de pesados investimentos e de um plano de expansão internacional, (...) que fez de 2008 o melhor ano da história da TIGRE”, disse. Segundo a reportagem, para manter o crescimento em 2009, a receita da empresa foi investir. ‘”Só em inovações, desenvolvimento de novos produtos, complemento de linhas, um investimento superior a R$ 100 milhões. Isso sem considerar R$ 50 milhões que nós, todos os anos, aplicamos em marketing.”

               Tudo isso justifica nossas reivindicações para que a empresa inclua em seus planos melhores condições de trabalho.
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Confederação Nacional dos Trabalhadores Químicos
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